quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Freddie Mercury - 30 anos depois, o Rei ainda vive

Uma carta de amor a Freddie, no dia do aniversário da sua morte.


Uma das minhas memórias mais fortes de infância foi a noite de 24 de novembro de 1991, quando a televisão dava a notícia da tragédia do desaparecimento de Freddie Mercury. Tinha acabado de fazer seis anos e na minha perceção confusa do mundo, onde o Pai Natal existia e as novelas eram cenas da vida real, o Freddie era meu tio. E nem sequer estou a brincar. Sabia lá eu que Wembley era em Londres. Para mim, que via o VHS com o concerto dos Queen diariamente, era ali ao cimo da rua.

Foi por isso em choque que recebi a notícia que aquele tio próximo que falava uma língua estranha e via todos os dias, embora somente em vídeo, estava morto. Aquela noite foi a minha primeira interação com a morte.

No próprio dia, a RTP passou o documentário da BBC “Freddie Mercury: A Tribute”, uma colagem de clipes e performances aos vivo dos Queen (Hammersmith ‘75, Rio ‘85, Live Aid ‘85, Wembley ‘86) que foi, efetivamente, a melhor forma de o relembrar e ilustrar a sua gloriosa vida. Durante anos repeti o mesmo sonho: estava no Live Aid em Wembley e vi o Freddie colapsar, a morrer à minha frente, no fim da performance do “We Are The Champions”.

Lembro-me de ir para a cama nessa noite e de me deitar enquanto o meu pai tentava explicar o que se estava a passar. Não faço a mínima ideia do que me disse, só me lembro de que fingi entender para o fazer feliz. Coitado. Ver-se obrigado a explicar a morte a um miúdo de 6 anos. 30 anos volvidos, eu não o saberia fazer. “O Freddie desapareceu”, dizia o José Rodrigues dos Santos. Sim, mas para onde?

Para onde? Para lado nenhum. Ou melhor, para todo o lado. 30 anos volvidos, a música dos Queen está mais forte e pujante do que nunca. São mais populares nas novas gerações do que qualquer outra banda antiga, incluindo os Beatles. Não sou eu, são os números do Spotify e do YouTube que o dizem. Têm uma loja na Carnaby Street em Londres. Loja essa que durante semanas teve filas de horas por causa de uns discos de vinil exclusivos com músicas que toda a gente já ouviu milhares de vezes. Loja essa que teve confrontos à porta (não, não estou a brincar) na última semana porque se percebeu que não havia discos para todos.

Para mim, está aqui. Aqui mesmo, no coração. 30 anos depois do seu alegado desaparecimento, não há dia nenhum que passe e que não ouça a sua voz. A sua música fez, faz e para sempre fará parte do tecido da minha vida. O rei Freddie Mercury desapareceu há 30 anos, mas nunca foi embora das nossas vidas. Anyway the wind blows… and Queen lives.

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