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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

O melhor e o pior de sempre do Rock In Rio Lisboa

Quem foram os Freddie Mercurys e os Adam Lamberts nos 16 anos de Rock In Rio Lisboa

“Se a vida começasse agora e o mundo fosse nosso outra vez”

Há 17 anos, Roberta Medina aterrou em Lisboa com um sonho. O sonho era organizar em Portugal um Rock In Rio, um dos maiores icónicos festivais de música do mundo. Era uma nova vida que começavam para Roberta, que tinha como objectivo conquistar o mundo outra vez. Ela encontrou muitos percalços pelo caminho, mas não restam dúvidas que o sonho do Rock In Rio Lisboa foi concretizado.

Para Portugal, foi uma revolução. Tudo mudou no que a festivais diz respeito. A chegada do Rock In Rio levantou a bitola e obrigou a que a concorrência tivesse que se adaptar para sobreviver. O Rock In Rio provou que era possível trazer para Portugal nomes como Paul McCartney, algo iniminaginável no passado. Até nas pequenas coisas, o festival marcou a diferença. Por exemplo, provou que era possível ter casas de banho dignas num festival de música. Obrigado por tudo, Roberta.

Na antecâmara da décima edição do Rock In Rio Lisboa (nona, se descontarmos a mini-edição do ano passado), vamos fazer um resumo do que a Roberta nos trouxe na últimas duas décadas, começando pelo melhor e deixando o pior para o fim. Vamos também identificar quem é que foram os Freddie Mercurys e os Adam Lamberts de cada edição do Rock In Rio Lisboa. Comecemos então com o crème de la crème.

1. 2004

O grande triunfo de Roberta Medina. A primeira edição continua imbatível. Roberta quis impressionar os portugueses e não teve mãos a medir para conseguir para o "melhor festival do mundo", um cartaz do outro mundo. Começando pelo quase-milagre de ressuscitar uma banda que na altura estava morta — os Guns N’ Roses (que acabaram por cancelar e ser — bem — substituídos pelos Foo Fighters). Houve um histórico dia de Metal que marcou a reconciliação dos Metallica com o público português e foi o primeiro de uma série de concertos anuais na década que se seguiu. O dia Pop teve a sua princesa — Britney Spears; o lendário Peter Gabriel apareceu apareceu dentro de uma bola saltitona.
O corolário chegou no último dia, o qual teve um rodízio que juntou Sting, Alicia Keys, Alejandro Sanz, Ivete (pois claro), Luis Represas e Pedro Abrunhosa (ufa) a, atentem, 110 mil pessoas. Foi uma maratona que terminou às 4 da manhã e só porque alguém da Câmara de Lisboa ameaçou desligar a ficha. E não, não me esqueci, o Rock in Rio teve Paul McCartney num "Dia Zero" só para ele. Paul. McCartney. Um Beatle! No Rock In Rio. 'Nuff said.
Freddie Mercury: Paul McCartney, obviamente. Mas atenção ao show dos Metallica.
Adam Lambert: Black Eyed Peas. O que é que foi aquilo?

2. 2012

E à quinta edição, finalmente Bruce Springsteen. Aleluia. Aleluia. O Senhor seja louvado, as nossas preces foram ouvidas. O maior showman do planeta veio a Lisboa converter os infiéis à sua religião e mudou as vidas das 80 mil pessoas que entraram naquele dia no Parque da Bela Vista, sem saber o que as esperava. Vadios como nós, nascemos para correr.
E calma, que não foi tudo. Importa referir que esta edição viu a (merecida) redenção do maior saco de pancada da crítica dos 10 anos anteriores — os Limp Bizkit. O Parque da Bela Vista já estava à pinha a umas inauditas 5 da tarde, para se deixar enrolar (!) nos hits dos Bizkit. E isto foi só o início de um dia "Revenge Of The 90s" encabeçado pelos Smashing Pumpkins, que também teve Offspring e Linkin Park. Ah, o regresso ao pátio do liceu. Onde é que estão os Skunk Anansie e os Guano Apes?
O primeiro dia teve os obrigatórios Metallica a tocar o Black Álbum na íntegra e o dia de Stevie Wonder teve Bryan Adams a roubar-lhe os holofotes com uma performance olímpica. A Ivete desta feita apareceu no dia de Lenny Kravitz porque, como sabemos, a raiz quadrada de “Fly Away” é o “Arerê” .
Freddie Mercury: Bruce Springsteen. Ou não fosse Freddie o nome do meio do Bruce. True story.
Adam Lambert: Maroon 5. Provavelmente o maior embuste que se auto-intitula "banda Rock".

3. 2006

A segunda edição viu Roberta ter a árdua tarefa de igualar as expectativas do primeiro ano. O bonito sonho chamado Pink Floyd foi desfeito, uma vez que Roger Waters não conseguiu convencer o David Gilmour, na ressaca do glorioso comeback no Live 8. Foi então o Roger pregar sozinho o "The Dark Side Of The Moon" na íntegra para o Mundo, com paragem na Bela Vista.
Os Red Hot Chili Peppers incendiaram o festival com o então novíssimo "Stadium Arcadium", naquela que seria a despedida de John Frusciante dos palcos (voltaria à banda no ano passado).
O dia Pop teve a então mega estrela Shakira, que apareceu no jornal da noite da SIC a falar português para deleite do público. Ah e a Roberta lá conseguiu finalmente trazer os Guns N’ Roses. Não foram bem os Guns N’ Roses, mas pelo menos o Tio Axl veio em grande forma.
Freddie Mercury: Roger Waters. Ou como ele próprio se intitula — "o génio criativo dos Pink Floyd" e "o inventor do espectáculo Rock". Ganda Roger.
Adam Lambert: Sting. Foi o patriarca das 110 mil pessoas em 2004 e regressou na edição seguinte para um dos concertos mais mortos que eu já assisti. E isto na escala Sting, o que não é de somenos.

4. 2008

À falta de headliners gigantes como nas primeiras edições, a Roberta optou por fazer um cartaz sólido, a parar em todos os apeadeiros. Linkin Park, Offspring e Muse juntos? Ok, aceita-se. Mas Lenny Kravitz, Ivete e Amy Winehouse? Oi? Tokio Hotel e Rod Stewart? Tirando a laca, não estou a ver a relação. Mas a ideia terá sido precisamente essa. Maior espectro, mais gente.
2008 viu o regresso dos Metallica depois do triunfo de 2004 e eles não desiludiram. Contudo, o grande vencedor do festival e um dos melhores concertos da história do Rock In Rio, foi sem dúvida o espectáculo electrizante dos Bon Jovi. Não sei como é que o concerto não foi interrompido pelo Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, uma vez que a banda das docas de New Jersey pegou fogo ao Parque da Bela Vista.
Freddie Mercury: Bon Jovi. Que show electrizante!
Adam Lambert: Amy Winehouse. Coitada. Se virem o documentário Amy, percebem.

5. 2016

2016 foi uma edição de contrastes. Foi aqui que o Palco Mundo passou a ter 3 bandas por dia. Um insulto à data, para quem estava habituado a ver 4, 5, ou até 6. Mas isso até poderá fazer algum sentido, dirão, se em vez da quantidade se apostar na qualidade. E foi esse o caso em parte desta edição.
O pontapé de saída foi dado por Bruce Springsteen, num desfile triunfal de êxitos depois do sucesso de 2012 e de uma participação especial no set dos Stones em 2014. Os Queen+ Adam Lambert vieram ao segundo dia e pudemos replicar aquele momento histórico no Rio em 1985, com dezenas de milhar de pessoas a cantar Love Of My Life, mas desta feita sem Freddie e com um cantor de cabaret a assassinar a música dos Queen. O que vale é que eu perdoo tudo ao Dr. Brian May.
O segundo fim‑de‑semana foi uma casa de horrores. Começou com o abandono do palco pelos Korn - o nome forte do dia de Metal -, por dificuldades técnicas. Depois de 3 quebras de energia no palco, a banda americana fartou-se da organização e foi-se embora.
Tivemos também Ivete duas vezes, devido ao cancelamento da Ariana Grande no último dia (ultrapassando assim o número de performances de Ivete no Rock In Rio relativamente ao número de edições do Rock In Rio). O festival fechou com uma visão distópica do futuro, com a música “ao vivo” a sair de uma pen e Avicii no palco a desenhar rectângulos com as mãos, a ser o headliner do festival. Assustador.
Freddie Mercury: Bruce Springsteen, pois claro. Avé Boss.
Adam Lambert: Curiosamente, o Adam Lambert de 2016 não foi o Adam Lambert. Nada foi, nem nada podia ser, tão mau como o Avicii.

6. 2014

A edição em que a Roberta queimou o orçamento todo nos Rolling Stones e depois só restou dinheiro para trazer a Ivete e o dançarino gordo dos Take That. Estou a brincar, o Robbie não era grande dançarino. Mas deu um dos melhores concertos desta edição.
2014 foi também a edição dos grandes insultos. Começando pela comunidade hipster, que se sentiu unamimemente insultada por ser obrigada a ir ao "festival das farturas" (estou a citá-los) ver os Arcade Fire. E continuando comigo, que me senti insultado por ver os Queens Of The Stone Age em topo de forma a tocarem 80 minutos, para dar mais tempo ao cabeça de cartaz desse dia... Steve Aoki. Era um bolo nas trombas.
Freddie Mercury: The Rolling Stones. Com participação especial de Bruce Springsteen!
Adam Lambert: Steve Aoki. Não dá. Menos, Roberta. Muito menos. Isto não é o Tomorrowland.

7. 2010

Foi à quarta edição que as coisas começaram a ficar mais tremidas. O número de bandas no palco mundo ficou estabelecido nas 4 e a repetição no cartaz começou a ser uma constante. Shakira e Ivete repetiram o par de 2006 e Muse repetiram 2008, mas agora como headliner. No lado positivo, Elton John foi à Bela Vista corrigir uns mal entendidos e o dia de Metal teve Motörhead e Megadeth "back to back", num dos melhores cartazes "pesados" de sempre do Rock In Rio.
Freddie Mercury: Elton John. Uma lição de como se faz.
Adam Lambert: Muse. Bocejo.

8. 2019

Uma edição curta, comemorativa dos 15 anos do festival. Teve Massena com uma orquestra, teve a inevitável Ivete e teve um concertão de James na Torre de Belém, com um Tim Booth praticamente afónico a dar tudo o que tinha e muito do que não tinha. Teve a desculpa de ser curto e de ser de borla. Considerei isto uma redenção do fiasco de 2018 e espero que 2020 mostre melhoras.
Freddie Mercury: James.
Adam Lambert: A gripe do Tim Booth.

9. 2018

Um cartaz praticamente insultuoso com 3 bandas por dia no Palco Mundo e uma selecção que parece ter sido feita numa tarde. Onde noutros anos pontificaram Bruce Springsteen e Paul McCartney, houve Muse e The Killers. É curto. A Pop ficou bem servida com Bruno Mars e Katy Perry, mas o festival chama-se Rock In Rio. Se é para isto, Roberta, mais vale estares quieta.
Freddie Mercury: Oi?
Adam Lambert: Não sei. Não fui. Caguei

domingo, 19 de janeiro de 2020

NOS Alive ataca a Pop e Rock In Rio volta ao Rock

Quando, no ano passado, o NOS Alive anunciou os nomes de Taylor Swift e Billie Eilish como cabeças do seu cartaz para 2020, as redes sociais do festival explodiram em ira pela alegada rockinriozação do Alive. Percebe-se porquê. Na última década, o Alive explorou a viragem à Pop do Rock in Rio, à EDM do Sudoeste e ao Hip Hop do Super Bock Super Rock, para se cimentar como o melhor cartaz de Rock em Portugal. A única concorrência vinha de Paredes de Coura, mas esse era demasiado pequeno, demasiado longe e demasiado hipster para fazer mossa à máquina trituradora do Alive. No Rock, o Alive era Rei e Senhor.

Contudo, para 2020, o Alive quer mais.

Aparentemente, não foi suficiente ter sugado todo o sumo do Rock ao Rock In Rio, transformando-o numa punchline recorrente de piadas sobre a mercantilização dos festivais e acusações de um Rock In Rio sem Rock, nem Rio. Para 2020, o Alive quer também atacar os alvos Pop, tradicionalmente destinados ao Parque da Bela Vista; e fá-lo num ano em que o autodenominado "maior festival de música do mundo" regressa a Lisboa. Taylor Swift parecia um casamento perfeito com aquela slot historicamente destinada à Britney Spears, Shakira, ou Adriana Grande, mas em vez disso, vai para a slot onde dantes estiveram Arctic Monkeys, Pearl Jam, ou Radiohead. Eu gosto da Taylor Swift, mas não deixa de ser uma evolução bizarra.

Como se não bastasse este ataque à Pop, o Alive apresenta também para a sua edição de 2020 um trunfo do Hip Hop habitualmente apresentado pelo Super Bock Super Rock — Kendrick Lamar. A resposta do SBSR foi A$AP Rocky, mas sente-se que é como quem responde uns Ocean Colour Scene, a uns Oasis. Não é bem o mesmo campeonato. A não ser que venha daí um Kanye West para o Meco, o festival vai ficar claramente a perder.

Com esta aparente viragem à Pop e ao Hip Hop do Alive, o público mais antigo e mais fiel do festival sentiu-se traído. Era óbvio que isto iria acontecer e foi com certeza discutido na organização do festival. Mas tentando ser o mais objectivo possível, o que é que isso lhes interessa? Muito pouco. A verdade é que eles vão atrás do dinheiro. Não há outra maneira de dizer isto e nem é dito em tom jocoso. É um facto. O Alive cresceu a olhos vistos na última década e passou de uma alternativa ao Rock In Rio, ao mais consagrado festival de Portugal. Ganharam o público, penetraram o mainstream e ali se querem estabilizar, uma vez que é no mainstream que estão os sponsors e daí é que vem o dinheiro a sério. E a forma de se perpetuar no mainstream é, teoricamente, seguir os passos do Rock In Rio e conquistar o público da Pop, mais disposto a deixar a nota. "Follow the money", já dizem os americanos.

Mas será que, na prática, esta é mesmo a melhor opção para garantir o sucesso do festival? Não tenho a certeza. Esta viragem tem muitos riscos, começando pelo facto do público da Pop ser extremamente volátil e, ao contrário dos fiéis do Rock, vai-se embora com a mesma facilidade que vem. Mas o Alive está apostado em domar a arte do mainstream sem incorrer no pecado da vulgarização em que se deixou cair o Rock In Rio. Para isso, dá também "uma na ferradura" e vai buscar o mais alternativo Kendrick Lamar. Falta ainda anunciar um headliner e eu aposto que a Everything Is New guardou para o fim um crowd-pleaser o Rock. Os Pearl Jam são uma possibilidade, mas eles estão em Londres nesse fim-de-semana. Aguardemos.

Todos sabemos da parceria do Alive com o Mad Cool e de como os festivais partilharam os cartazes nos últimos anos, muitas vezes apenas trocando os dias. Portanto esta mudança foi concertada, ou pelo menos acordada entre ambas as partes. Falta saber se quem ditou esta viragem foram os portugueses, se os espanhóis. Os primeiros números não são os mais animadores para o Alive. Num ano normal, por esta altura já os passes estariam todos esgotados e os grupos de trocas de bilhetes no Facebook já andariam a ferver com preços ultra-inflacionados. Até ver, anda tudo muito calmo para os lados de Algés.

Ao contrário da Bela Vista.

Nem tudo são más notícias para os roqueiros portugueses. A viragem à Pop no Alive abre o flanco para o regresso do Rock... ao Rock In Rio. Esta semana, o festival de Roberta Medina anunciou o nome de Liam Gallagher (obrigado, Roberta!) para o mesmo dia que Foo Fighters e The National, num cartaz épico, reminiscente das gloriosas edições dos Anos 00. A reacção do público foi imediata e logo no dia a seguir, esgotaram os bilhetes do Continente e os vouchers alocados ao dia do mancuniano, o que fez estalar a polémica nas sociais. Uma polémica das que se querem quando se organiza um festival. — quando toda a gente quer bilhetes e não há. Parece fácil, não é? Resta-nos esperar que o Rock In Rio perceba as dicas do mercado e anuncie nomes que se coadunem com a grandeza do festival e a vontade do público para o resto do cartaz. Bruce Springsteen, pretty please.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Não, não são os Queen. Mas "eu vou" na mesma

Afinal quem é que vem ao Rock In Rio-Lisboa?



Ontem à noite, a internet foi invadida por títulos garrafais um tudo-nada enganosos: QUEEN EM PORTUGAL; QUEEN NO ROCK IN RIO-LISBOA; QUEEN TRAZEM NOVO VOCALISTA QUE SUBSTITUI FREDDY MERCURY. Não, não e não. Está tudo mal, está tudo errado.

Em primeiro lugar, quem é este Freddy que eu vi em todo o lado? Não conheço. O nome que o vocalista dos Queen escolheu foi Freddie Mercury e se começamos a achar este erro de somenos, falemos também dos Beetles, dos Punk Floyd e dos Trolling Stones.

Em segundo, quem vem a Portugal não são os Queen, é Queen+ Adam Lambert. Não sou eu que o digo, são os próprios. Reparem no cuidado da nota à imprensa e atentem na forma meticulosa como a própria banda trata o assunto: "Queen+ Adam Lambert vão ser cabeças de cartaz no Rock In Rio-Lisboa 2016", em oposição a "Queen foram cabeças de cartaz no primeiro Rock In Rio em 1985", na Barra da Tijuca. São coisas diferentes e devidamente separadas. Adam Lambert não "é dos Queen" e não substitui ninguém, ele "vem com os Queen".
O mais cínicos dirão que pela leis da aritmética, se somamos Adam Lambert no nome, temos que subtrair Freddie Mercury e o baixista John Deacon. Certo. Mas convenhamos que o nome nos cartazes ficaria demasiado longo.

Os Queen morreram com Freddie Mercury, no dia 24 de Novembro de 1991. Ressuscitaram várias vezes desde então, é verdade: primeiro com o histórico concerto de tributo em 1992, que reuniu toda a nata do Rock em torno dos restantes membros da banda no local onde Freddie fora coroado o Rei; e em 1995, com o lançamento das gravações finais de Mercury no álbum "Made In Heaven". Depois, o baixista John Deacon abandonou a banda com a convicção que não valia a pena procurar novo dono para as sabrinas de Freddie, porque elas não iam servir a mais ninguém. Dos Queen, sobraram apenas o baterista Roger Taylor e o guitarrista Brian May, que ficaram com um grave problema entre mãos: uma enorme vontade de continuar a fazer música e tocar os seus êxitos, mas sem nenhum substituto à altura do Rei Freddie. Começou então a demanda por um novo dono das sabrinas.

Primeiro veio Paul Rodgers, o sonhador. O Paul chegou em 2004, cheio de boas intenções e viu na banda uma oportunidade para começar algo de novo, interessante e desafiante. Mas Brian May só queria os "seus" estádios de volta e não estava preparado para tratar o projecto como outra coisa que não uma banda de tributo aos Queen. Queen+ Paul Rodgers foi isso mesmo e no início, foi óptimo. O sucesso da primeira digressão foi tal (eu próprio fui a dois concertos), que Brian e Roger decidiram arriscar um álbum de originais com Paul, com o sucesso que conhecem. Ou melhor, provavelmente nem sequer conhecem de todo. Como as paixões de Verão — curtas, intensas e pouco realistas — Q+ PR não sobreviveram ao choque com a realidade. A banda estava partida em duas facções e foi uma questão de tempo até Paul perceber que estava a mais e sair. No fim de contas, foi uma colaboração curta, mas que deu alegria a muita gente que pôde ver Brian May e Roger Taylor ao vivo pela primeira vez (eu! eu!), capitalizando a fome do público pelos Queen.

É com base nessa infindável fome do Mundo pelos Queen, que Brian May e Roger Taylor continuam no seu projecto de banda tributo glorificada, agora com Adam Lambert. Ao contrário do ambicioso Paul, imagino que Adam esteja contente por fazer aquilo que lhe mandam, sem levantar muitas ondas. Sendo dono de capacidades vocais acima da média, reconhecidas pelo "Ídolos" americano, é o perfect man for the job. Em digressão desde 2012, Queen+ Adam Lambert chegam agora a Portugal para o Rock In Rio-Lisboa e eu lá estarei obviamente, nem que seja só para rever o Brian e o Roger. Não, não são os Queen. Mas "eu vou" na mesma.